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Opinião – Em meu nome: Mais um ano lectivo e…o que mudou?

Em meu nome… Mais um ano lectivo e… o que mudou?

Entre 10 e 13 de Setembro inicia-se em Portugal o ano lectivo 2019/2020. Nos últimos anos o mesmo iniciou-se sempre uma semana mais tarde. O Ministério da Educação e Ciência anda a ficar mais eficiente?

Parece que o facto de irem existir eleições em breve potenciou a eficiência. Se não vejamos outra grande coincidência: pela primeira vez em muitos anos as colocações dos professores foram feitas no dia 16 de agosto (nem sei se me lembro de alguma vez terem saído as listas tão cedo)!

Ora se alguma coisa melhorou, existem outras que nem por isso.

Comecemos pelo caso dos assistentes operacionais (antigos contínuos) cujos concursos lançados pelos Diretores das Escolas até Abril tiveram de ser anulados, pois o Ministério de Educação e Ciência resolveu lançar uma portaria no final desse mesmo mês, levando a anular centenas de processos de recrutamento iniciados e levando as Escolas a gastar mais dinheiro do seu já parco orçamento. Traduzindo-se isto tudo no simples e relevante facto de os mesmos não estarem ao serviço no início do ano lectivo. E onde fica a segurança das crianças, a escola limpa e o auxílio nas várias tarefas que constituem o dia-a-dia de uma escola?

Onde está a maioria dos 1000 funcionários prometidos para o arranque do ano lectivo?! Se chegarem no Natal, as Escolas já estão com sorte!

Onde está a maioria dos 1000 funcionários prometidos para o arranque do ano lectivo?!
Foto: D.R

A polémica sobre o Despacho 7247/2019 sobre a implementação e regulamentação da Lei da Identidade do Género, levantou muitas questões que, vendo bem as coisas, numa sociedade cuja mentalidade tem retrocedido em coisas tão básicas como os valores, não me causou qualquer espanto. Causou-me foi uma grande estranheza o facto de não se falar mais das más ou péssimas condições que quase todas as casas-de-banho dos estabelecimentos escolares têm, que vão desde os problemas de canos, falta de lugar específico para crianças/adultos com dificuldades motoras até à falta do papel higiénico. Isso sim, é que era de valor: discutir as condições básicas e alterar os padrões que são muito reduzidos. Depois de terem condições adequadas, quem se serve delas ou não, já deveria ser menos importante.

Também não vejo falar em lado nenhum sobre as péssimas instalações de uma grande maioria dos estabelecimentos escolares. Alguns têm recomendações há mais de uma década para serem requalificados ou para serem feitos novos equipamentos. Alguns desses estão em instalações provisórias há mais de uma década. São aquelas famosas escolas onde quando chove há baldes por todos os lados (corredores, salas,…) para que a desgraça não seja maior ou os alunos e professores levam uma mantinha (ou duas) no inverno para suportarem melhor o frio.

Vamos agora falar daquela outra grande medida do Ministério da Educação e Ciência: o programa da gratuitidade e reutilização dos manuais escolares! Para quem não sabe, este ano serão abrangidos pela atribuição gratuita de manuais escolares todos os níveis de escolaridade obrigatória (do 1º ao 12º ano). A polémica iniciou-se logo com o facto de os mesmos terem de ser devolvidos em condições (entenda-se apagados, com as folhas todas e em razoável estado de conservação) e os encarregados de educação entenderem que não os deviam apagar.

Desculpem lá, mas se os quiseram de graça deviam ter tido o cuidado de saber primeiro quais
as condições da sua devolução! Agora, que se inicia o novo ano lectivo, há livros que eu
própria não aceitaria que mos entregassem, pois não estão em estado de serem reutilizados!

Já para não falar do facto de, quando os encarregados de educação vão imprimir os vouchers dos mesmos, os livros adoptados e obrigatórios não se encontrarem todos abrangidos pelo mesmo. Vouchers esses que as Escolas não disponibilizaram todas ao mesmo tempo (apesa de existir um prazo pré-estabelecido) o que significa que haverá alunos que não os terão a tempo e horas para o início das aulas…

Mas para o nosso Governo “está tudo bem” e este até vai ser o melhor início de ano lectivo de que há memória!

Nem vou falar aqui, neste momento, do descontentamento dos professores, do muito trabalho burocrático que já existia e que agora com a implementação da Flexibilidade Curricular se tornou abismal nem tão pouco do desgaste, do burnout ou da idade avançada da classe docente… deixarei isso para a “comemoração” do Dia do Professor!

Termino, desejando a toda a comunidade educativa um bom ano lectivo com uma das frases mais conhecidas de Nelson Mandela: “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”

Catarina Vaz – Professora

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