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Fiscais foram à Bienal do Livro do Rio de Janeiro recolher banda desenhada com beijo ‘gay’

Fiscais da prefeitura do Rio de Janeiro deslocaram-se ao local onde decorre a Bienal do Livro, organizada na cidade, para recolher uma edição de banda desenhada chamada “Vingadores – A Cruzada das Crianças”, que contém um beijo homossexual.

A ação de fiscalização ocorreu depois de o Prefeito de Câmara do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, ordenar a recolha da história aos quadrinhos, alegando ser preciso proteger as crianças de conteúdo impróprio, porque dois personagens ‘gays’ se beijam.

“Pessoal, precisamos proteger as nossas crianças. Por isso, determinámos que os organizadores da Bienal recolhessem os livros com conteúdo impróprio para menores. Não é correto que elas tenham acesso precoce a assuntos que não estão de acordo com suas idades”, escreveu o autarca num vídeo publicado na rede social Twitter.

Marcelo Crivella é evangélico e, juntamente com outros líderes políticos conservadores, como o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, posiciona-se publicamente contra a chamada ideologia de género.

A expressão “ideologia de género” é utilizada no Brasil por grupos conservadores contrários às discussões sobre diversidade sexual e identidade de género.

Segundo informações divulgadas pelo jornal brasileiro Folha de S.Paulo, os fiscais chegaram à Bienal por volta das 12:00 locais e distribuíram-se pela feira de livros para visitar os ‘stands’ juntamente com o subsecretário de operações da Secretaria Municipal de Ordem Pública do Rio de Janeiro, coronel Wolney Dias.

Questionado sobre a iniciativa, Wolney Dias negou que a intenção de recolher a banda desenhada seja um ato de censura, afirmando tratar-se apenas do cumprimento de uma recomendação da Procuradoria-Geral do Município.

O jornal brasileiro também relatou que quando a feira abriu, às 09:00 locais, a edição de banda desenhada que motivou a ação de fiscalização já não podia ser encontrada no local.

Expositores afirmaram que a revista foi toda vendida, mas alguns funcionários, que não quiseram identificar-se, disseram que receberam uma orientação para recolher títulos com temática que pudesse gerar polémica por causa da fiscalização da prefeitura.

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