Ribatejo

Rio Sorraia: ministro do Ambiente promete auxiliar os municípios de Coruche, Benavente e Mora no combate à praga de jacintos

O Ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, esteve ontem à tarde no Açude do Furadouro, em Mora, para assistir ao início dos trabalhos no combate aos jacintos-de-água, utilizando a ceifeira que foi emprestada pela Câmara Municipal de Águeda.

A beleza dos jacintos-de-água pode ser ilusória. Afinal, ao formarem um tapete com folhas verde-vivo e flores arroxeadas, esta espécie invasora tapa superfícies de cursos de água e cria impactos ambientais e económicos nessas zonas. Devido ao seu rápido alastramento, o controlo desta planta é difícil e dispendioso. Este ano, só no rio Sorraia já invadiu 80 dos seus 155 quilómetros.

E não se pode perder mais tempo com discursos. O mais importante neste momento é começar com os trabalhos de limpeza para salvar um dos a maiores afluentes do rio Tejo.

“Decidi vir ao terreno ver como estão a decorrer os trabalhos no combate a uma praga que tem vindo a desenvolver-se brutalmente ao longo de todo o rio Sorraia e alguns dos seus afluentes. E também quero deixar bem claro que o Ministério do Ambiente vai dar todo o apoio possível aos municípios de Mora, Coruche e Benavente no combate a esta planta terrível”, afirmou ao “RibatejoNews” João Pedro Matos Fernandes.

A ceifeira empresatada pela Câmara Municipal de Águeda começou a limpar o açude do Furadouro em Mora
Foto: José Peixe/D.R

“Esta situação não ocorre apenas aqui na ribeira do Raia nem na bacia do rio Sorraia. Infelizmente temos muitos rios, ribeiras e açudes em Portugal que estão repletos desta planta terrível”, esclareceu o ministro do Ambiente.

Vigilantes da Natureza vão monitorizar o rio Sorraia também

Antes de se deslocar para o Açude do Furadouro, o ministro do Ambiente esteve em Abrantes para anunciar a contratação de cinco vigilantes da Natureza no Tejo Oeste.

A região hidrográfica do Tejo Oeste vai poder contar a partir de quarta-feira com cinco novos vigilantes da natureza, que vão fiscalizar e monitorizar os recursos naturais, anunciou hoje a Associação Portuguesa do Ambiente (APA).

Em comunicado, a APA sublinha que a “contratação destes profissionais constitui mais um passo importante na implementação do Plano de Acção Tejo Limpo, que tem como principal objectivo restabelecer a qualidade de água no Tejo”.

“Mas estes profissionais não vão apenas monitorizar o rio Tejo. Eles também vão desenvolver o seu trabalho no rio Sorraia e outros afluentes do Tejo. Não podemos esquecer-nos que o rio Sorraia é muito importante para o estuário do Tejo”, afirmou o ministro do Ambiente ao “RibatejoNews”.

Francisco Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Coruche esclarece o ministro da gravidade desta praga que pode matar o Sorraia
Foto: José Peixe/D.R

Os profissionais vão desempenhar funções de vigilância, fiscalização e monitorização relativas ao ambiente e aos recursos naturais, em especial no domínio hídrico, desenvolvendo ações de formação e de sensibilização dos utilizadores do rio Tejo.

De acordo com a APA, os cinco vigilantes vão contar com novos equipamentos de monitorização e análise, uns instalados no meio hídrico e outros portáteis, que, juntamente com os já existentes, vão permitir abranger territorialmente o curso principal do rio Tejo, bem como os seus afluentes.

“Serão equipados com fardamento completo e adequado ao terreno, condições aquáticas e […] às condições de temperatura, de inverno e verão”, refere a APA, acrescentando que os vigilantes vão possuir meios tecnológicos modernos, para registo de ocorrências, comunicação e reporte (tablets, smartphones e hotspots), estando o seu trabalho diário ligado, em tempo real, à Plataforma Eletrónica Única de gestão do rio Tejo.

A poluição do Tejo tem sido este ano alvo de várias denúncias por parte de associações ambientalistas, que criticam as descargas de diferentes unidades industriais.

O Governo aprovou em Julho de 2018, em Conselho de Ministros, o Plano de Ação Tejo Limpo, para aprofundar o conhecimento da situação real da bacia hidrográfica do rio de forma a evitar episódios de poluição no futuro.

O ministro do Ambiente explicou na altura que o plano, que representa um investimento de 2,5 milhões de euros, era a terceira fase de um programa desenvolvido desde o início do ano, depois do “fenómeno agudo de poluição” registado em 24 de janeiro no rio Tejo e de “muitos outros que o antecederam”.

De acordo com o ministro, a primeira fase foi a de “estancar e resolver os problemas de poluição e passar novas licenças às entidades potencialmente poluentes para garantir uma maior qualidade no tratamento dos efluentes”.

A segunda fase, indicou, é aquela que “ainda está em curso, com a remoção das lamas no Tejo em frente a Vila Velha de Ródão”.

 

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