AmbienteBenaventeReportagem

Ambiente: Carlos Coutinho mentiu à população sobre a praga de jacintos a jusante de Benavente

No site da Câmara Municipal de Benavente podemos ver um comunicado cujo título é o seguinte: “Jacintos no Rio Sorraia”.

Nesse mesmo comunicado o presidente do município, Carlos Pinto Coutinho afirma que “No nosso rio Sorraia foi feito um reconhecimento do curso do rio (com drone) e verificou-se que, entre a Ponte do Porto Alto e a Pista de Pesca (cerca de 13 quilómetros) não existiam manchas de jacintos, sendo que surgem, a montante, várias áreas infestadas”.

Pois ou o drone da Câmara Municipal não funciona ou está com problemas técnicos muito graves. Ou então, o senhor presidente Carlos Pinto Coutinho está a tentar “tapar o sol com uma peneira”. Só que as pessoas não andam distraídas e já perceberam que a realidade é bem diferente.

Nesta imagem podemos provar que o “drone” da Câmara Municipalde Benavente não está a funcionar
Foto: José Peixe/D.R

Ainda esta manhã estivemos no rio Sorraia para observar o atentado ambiental provocado pela “avalanche” de jacintos de água e o impacto que isso está a ter na Reserva Natural do Rio Tejo. Uma equipa de jornalistas da Agência Lusa também estavam presentes e não puderam ir ao local onde estava a ser demolido o dique, uma vez que a embarcação ficou impossibilitada de ultrapassar a praga de jacintos que estão concentrados no rio Sorraia.

A equipa de repórteres da Agência Lusa não conseguiu navegar até este local onde estivemos ontem de manhã
Foto: José Peixe/D.R

O autarca de Benavente assume no site do município que existe uma “Reunião marcada para o inicio do mês de Setembro com várias entidades”. O problema é que já é a terceira vez que os responsáveis da Associação de Beneficiários da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira (ABLGVFX) cortam o rio Sorraia.

Só que a associação ambiental “Juntos pelo Sorraia” está determinada a combater esta praga e o corte do rio.

“Já é tempo de as populações ribeirinhas de Benavente e Samora Correia começarem a defender os rios Sorraia e Almansor. Porque os efeitos desta praga atingiram o rio Almansor com força. Antes de começarem a abrir o dique que cortou o Sorraia não havia vestígio de jacintos de água no rio Almansor, hoje podemos comprovar que a maré de ontem à tarde empurrou toneladas desta planta invasora até quase a Santo Estêvão”, alertou Alberto Santos que também fez questão de representar a associação ambiental “Juntos pelo Sorraia”.

A maré cheia empurrou toneladas de jacintos de água pelo leito do rio Almansor, como demonstra esta imagem tirada esta manhã na ponte do Almansor na Estrada Nacional 118
Foto: José Peixe/D.R

“O alastrar dos jacintos-de água pode tornar-se uma praga no rio Sorraia, a breve prazo. Esta planta cobre a superfície dos cursos de água e das albufeiras de verde, colocando em risco a fauna e a flora dos rios que ficam igualmente impróprios para a rega e para circulação de embarcações. O problema terá surgido em Espanha e atingiu fortemente o rio Guadiana, mas é originário do outro lado do Atlântico, concretamente do rio Amazonas, no Brasil. Esta situação tem sido potenciada pelas alterações climáticas e com o aumento das temperaturas, tornando-se propicia à expansão desta planta”, pode ler-se no comunicado da Câmara Municipal de Benavente.

E prossegue com um blá, blá, blá só para entreter: “Em Espanha foram gastos cerca de 40 milhões de euros para tratar esta praga e em Portugal, recentemente, a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva, usou fundos comunitários e adquiriu uma máquina anfíbia que recolhe os jacintos que apanha pela frente. Esta medida de combate aos jacintos não se aplica no rio Sorraia porque não existem condições de largura e de altura (nível das águas) para circular com este equipamento. Tendo em conta que é proibido o uso de herbicidas, a intervenção terá que ser feita com recurso a meios mecânicos: dragas e trabalho manual”.

Depois admite que o município está a efectuar: “Contactos com várias entidades para delinear Plano urgente de combate”.

No nosso rio Sorraia foi feito um reconhecimento do curso do rio (com drone) e verificou-se que, entre a Ponte do Porto Alto e a Pista de Pesca (cerca de 13 quilómetros) não existiam manchas de jacintos, sendo que surgem, a montante, várias áreas infestadas.

Já provamos através de imagens e de um vídeo que isto não corresponde à realidade. E o mais grave é que os jacintos estão a afectar o rio Almansor que estava livre desta praga.

“Em vez de falar sem saber e de publicar comunicados no site da Câmara, o presidente Carlos Coutinho devia fazer como nós e vir até aqui e pedir a alguém que o leve de barco para ele ver com os próprios olhos o que o drone municipal não viu”, afirmou ao “Ribatejo News” Alberto Santos da associação ambiental “Juntos pelo Sorraia”.

O que está a acontecer no rio Sorraia é muito grave e alguém deveria ser responsabilizado
Foto: José Peixe/D.R

Transcrevemos o resto do comunicado para que os nossos leitores possam ter a noção da postura de presidente Carlos Coutinho no que diz respeito a esta matéria:

“Esta situação tem merecido toda a preocupação por parte da Câmara Municipal de Benavente, tendo havido contactos com a Administração da Região Hidrográfica do Tejo e Oeste que tem disponibilizado um barco operador para ajudar a retirar os jacintos na frente urbana.

A Câmara Municipal de Benavente tem consciência da dimensão regional do problema, porque em toda a extensão por onde passa o rio Sorraia, não basta limpar numa zona porque eles voltarão com as marés. A CMB encetou contactos com a Câmara Municipal de Coruche, com a Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Sorraia e com a Administração da Região Hidrográfica do Tejo e do Oeste para que seja delineado um plano de intervenção que deverá atuar durante anos, para o controle efetivo desta praga. Assim, para o inicio de Setembro está agendada uma reunião com todas estas entidades e tem a expectativa de que, feito o plano, seja possível passar urgentemente à ação”.

O combate a esta praga vai iniciar-se na próxima segunda feira garantiu ao jornalista da Agência Lusa, André Ferrão, o presidente da Câmara Municipal de Coruche, Francisco Oliveira:

A remoção da praga de jacintos de água nas zonas mais críticas do rio Sorraia, entre Coruche e Benavente, no distrito de Santarém, vai começar na próxima semana, avançou o presidente da Câmara Municipal de Coruche.

“Na próxima semana vêm meios para o terreno [com o objetivo de remover os jacintos de água] que vão atuar nas zonas mais críticas [do rio Sorraia]”, explicou Francisco Oliveira (PS), acrescentando que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) vai também “desenvolver um plano de ação” para intervir “ao longo do tempo”.
Uma praga de jacintos de água está a afetar a fauna e a flora num troço de cerca de 18 quilómetros do rio Sorraia.

Segundo o autarca de Coruche, o início da remoção das plantas deverá acontecer “a partir de terça-feira ou quarta-feira”, mas vai ser necessário “avaliar de uma forma mais cautelosa todas as formas de intervenção”.
Apontando que este é um trabalho que tem de continuar “ao longo do tempo”, a operação vai decorrer “até se entender que os troços mais críticos estão completamente limpos”, não existindo, por essa razão, um prazo de conclusão.

“Estamos a falar de uma intervenção com meios mecânicos. Não podemos estar a intervir no sentido de combater o jacinto pondo em causa o ecossistema, indo contra o meio ambiente”, vincou.

De acordo com Francisco Oliveira, o fenómeno não é novo, mas “tem vindo a aumentar” nos últimos anos, devido às “alterações climáticas” e porque “o caudal é muito menor” em relação a anos anteriores.

“Como [o caudal do rio] é menor e não tem corrente para arrastar os jacintos, significa que em algumas bacias com mais água tem mais capacidade para se desenvolver”, sustentou, referindo que esta situação também afeta alguns afluentes do Sorraia.

Além disso, os terrenos agrícolas nas proximidades da margem do rio “são ricos em fósforo, fosfatos e azoto que alimentam o jacinto de água”.

O presidente da Câmara Municipal de Coruche esclareceu também que “foi disponibilizada uma draga pelo município de Águeda”, no distrito de Aveiro, porque esta autarquia tem, igualmente, “esse problema com os jacintos”.

O problema é que esta praga já entrou no rio Almansor como se pode ver nesta imagem captada na ponte da Herdade das Silveiras – Samora Correia
Foto: José Peixe/D.R

A operação vai permitir, “em simultâneo, desenvolver um plano de ação que permita estudar o rio” e escolher “a tipologia de intervenção” para cada troço.

De acordo com o autarca socialista, os trabalhos de remoção desta espécie vão ser coordenados pela APA, estando marcada uma reunião para o início de setembro entre esta entidade, os executivos municipais de Coruche e Benavente, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional e outras entidades locais.

Em 24 de Julho foi construído um açude no rio Sorraia devido à necessidade de se criar uma represa com água doce porque a produção agrícola naquela zona estava em risco por as águas apresentarem um elevado nível de salinidade.

O açude foi hoje desmantelado, o que causou “o arrastamento para jusante de alguma quantidade de jacintos de água”, planta infestante que invadiu de forma muito significativa boa parte do rio Sorraia, explicou à Lusa o presidente da Câmara de Benavente, Carlos Coutinho (CDU).

“A quantidade de jacintos de água que foi hoje arrastada é uma pequeníssima parte do problema que temos aqui com esta praga, uma questão que vamos resolver em articulação com outras entidades e autarquias”, acrescentou Carlos Coutinho.

José Peixe – Jornalista

 

Mostrar mais

Related Articles

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back to top button
Close
Close

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker