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Motoristas de Matérias Perigosas desconfiam da postura dos responsáveis da ANTRAM

O Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e os representantes da Associação Nacional de Transportadores de Mercadorias (ANTRAM) regressam esta tarde à mesa das negociações no ministério das Infraestruturas e Habitação. O que podemos esperar desta reunião e destas negociações?

Até à meia noite de ontem o que existia era apenas desconfiança de ambas as partes. As acusações do porta voz da ANTRAM, André de Almeida (com fortes ligações ao Partido Socialista e alguns membros do Governo) e do SNMMP, Pedro Pardal Henriques, fazem crer que as negociações podem ser demoradas ou então nem sequer se avança.

É que os motoristas de matérias perigosas estão saturados de negociações que não levam a lado nenhum. E vão para a mesa de negociações de boa fé mas desconfiados. E com razão. Pois daqui a meia hora (ao meio dia!) a ANTRAM reúne com o ministro Pedro Nuno Santos sem a presença de nenhum membro do SNMMP.

Deve ser apenas e só para aparecerem nos telejornais da tarde.

Basta ter em atenção o comunicado que o SNMMP enviou aos órgãos de comunicação social, ontem ao final do dia e com o título: “Um passo para não abrir mão de lutar pelo futuro”.

“Depois de décadas de saque salarial, depois de uma greve realizada em condições extremamente difíceis para todos os motoristas em luta, depois de enfrentar a intransigência da ANTRAM, depois dos “serviços máximos”, depois de uma requisição civil que colocou o Governo e o Presidente da República – e com eles as Forças Armadas – a furar uma greve ao serviço dos interesses do sector petrolífero, depois de uma organização sindical do sector ter concretizado um princípio de acordo sob o impulso da luta dos motoristas e, finalmente, depois de o SIMM, nosso parceiro no pré-aviso nesta greve, ter entendido que estavam reunidas as condições para voltarem à mesa das negociações, a direção do SNMMP – Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas – entendeu que só teria condições para decidir depois de consultar as bases, espaço próprio para decidir os próximos passos a dar na luta pelas nossas reivindicações”, esclarece o comunicado que foi redigido depois do plenário que aconteceu no domingo, nas instalações da Junta de Freguesia de Aveiras de Cima.

“Queremos negociar e, para o efeito, cumpriremos as condições exigidas para que a Mediação reúna com todas as partes, mas não podemos mentir aos nossos associados e ao país: as bases que estão lançadas para essa negociação ainda estão longe do que precisamos para que os motoristas de cargas perigosas possam viver com a dignidade que, tal como todos os trabalhadores, também merecem. Recordamos que aquilo que já alcançado e que serve de base para as negociações não garante por completo o fim dos esquemas de salariais que são conhecidos, com fatia significativa do que deveria ser salário base a ser pago num esquema de cláusulas e de subsídios que prejudicam os trabalhadores, os contribuintes e o Estado, beneficiando apenas os interesses das empresas que faturam o suor do nosso trabalho”, esclarece o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP).

E segundo o presidente do SNMMP, Francisco São Bento, “a nossa luta não é uma luta centrada no aumento global do salário, é uma luta por uma base salarial mais consentânea com o risco associado a circular nas estradas carregado de toneladas de matérias perigosas, uma base salarial que nos reconheça e que salvaguarde um sector fundamental para a economia do país”.

É verdade que o Governo pode assumir esta tarde oficialmente o papel de mediador entre as partes, mas este é apenas um dos desfechos possíveis de uma reunião que pode levar a um acordo, a mais encontros ou à greve.

José Peixe – Jornalista

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