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ANTRAM tem sete dias para responder às reivindicações da ANMMP

O Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas deixou bem claro na primeira reunião pós-greve que a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) continua a menosprezar a força e união dos seus associados e estipulou uma semana para obterem uma resposta às reivindicações. Caso isso não aconteça na próxima reunião que ficou agendada para o dia 7 de Maio, poderá ser declarada publicamente uma nova greve nacional e por tempo indeterminado.

Os dirigentes do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) ficaram decepcionados com o comportamento e a estratégia negocial que a ANTRAM utilizou, ontem à tarde, no Ministério das Infraestruturas e Habitação.”Ficaram surpreendidos e estupefactos pelo facto de nós termos apresentado uma caderno de 43 páginas com as reivindicações dos nossos associados. Estavam à espera do quê? Nós terminamos a greve não fizemos os trabalho de casa. Estivemos reunidos no sábado passado em Aveiras de Cima e ouvimos os motoristas. Por isso, queremos chegar a um acordo o mais rapidamente possível”, explicou ao “Ribatejo News” o presidente do SNMMP, Francisco São Bento.

Pedro Polónia. Fernando Velasco e Ana Sota os representantes da ANTRAM
Foto: José Peixe – D.R

Pedro Pardal Henriques, advogado do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), disse estranhar que a Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) não conhecesse já as reivindicações dos motoristas, garantindo que a estrutura sindical não está “a brincar”. “As reivindicações dos nossos associados são mais do que justas e devem ser levadas muito a sério!”, advertiu o jurista dos motoristas.

O SNMMP e a ANTRAM reuniram sob a mediação do Governo, representado pelo advogado Guilherme Dray, um especialistas neste género de negociações. Foi ele que liderou as negociações entre os estivadores e o Governo.

Se não houver entendimento poderá ser convocada uma nova greve

Caso a associação não se pronuncie dentro do prazo estipulado, os trabalhadores vão utilizar “todos os mecanismos” de que dispõem, em especial, e “muito provavelmente”, uma nova paralisação, assegurou Pedro Pardal Henriques, o assessor jurídico do sindicato e antigo vice-presidente.

Entre as reivindicações dos motoristas de matérias perigosas está um salário de 1.200 euros, um subsídio de 240 euros e a redução da idade de reforma.

Os representantes do SNMMP foram cumprimentados por um representante do Governo
Foto: José Peixe – D.R

“É lamentável ter-se passado este tempo desde o pré-aviso de greve e até à data de hoje e a ANTRAM dizer que está surpreendida com aquilo que nós estamos a reivindicar. Nós interrompemos a greve porque [a associação] se comprometeu a negociar connosco, mas chegaram aqui hoje e não estavam preparados”, afirmou Pedro Pardal Henriques aos jornalistas no final da reunião.

Porém, a pedido do Governo o sindicato aceitou dar o período de uma semana para a ANTRAM se pronunciar, estando agendado para a terça-feira da próxima semana o retomar das negociações.

Por sua vez, o vice-presidente da ANTRAM admitiu que a associação “não trazia respostas”, tendo em conta que só hoje teve acesso a uma proposta integral.

O advogado Pedro Pardal Henriques adverte que a ANTRAM não deve menosprezar o SNMMP
Foto: José Peixe – D.R

“Foi estabelecido um calendário de negociações […], como tal não se pode querer respostas imediatas”, defendeu Pedro Polónio.

Mas Pedro Pardal Henriques levantou algumas questões pertinentes: “Os representantes da ANTRAM estavam a contar que nós viéssemos para a primeira reunião de apenas para falarmos? Acham que nós continuamos a ser uma pequena estrutura sindical sem peso nem importância?”.

A força e união dos motoristas de matérias perigosas

“Pois estão redondamente enganados. Há mais de 20 anos que estes motoristas andam a ser explorados de uma forma absurda, mas a greve que iniciaram no passado dia 15 de Abril provou que eles estão dispostos a lutar pelos seus direitos laborais. E nós estamos aqui para os representar de forma séria e honesta. Não queremos guerras com ninguém mas apenas e só que se chegue a um acordo sério, honesto e que satisfaça todas as partes”, esclareceu ao “Ribatejo News” o assessor jurídico dos motoristas de materiais perigosos.

O responsável da associação alertou ainda que “é preciso reflectir” os custos que estão associados às exigências destes trabalhadores, vincando que “não existem apenas” motoristas de mercadorias perigosas.

“Admitimos que possa existir algum reforço da diferenciação entre estes motoristas e os demais, mas, como é óbvio, por uma questão de justiça, não pode haver aqui um tratamento tão desproporcionado quanto aquele que tem vindo a ser público”, assegurou.

Confrontado com a possibilidade de os motoristas de matérias perigosas avançarem com uma nova greve, Pedro Polónio referiu que a ANTRAM “não trabalha sob ameaça de greve” e que uma nova paralisação é prematura.

“Se há uma ameaça de greve é claramente prematura porque, na verdade, estamos novamente a ser colocados sobre uma pressão que não é correta para se negociar. Foi negociado, foi aceite que haveria paz social. Não quero estar aqui a dizer se os trabalhadores têm ou não direito à greve […], mas não deixa de estar assinada essa cláusula de paz social e a ANTRAM pretende cumpri-la sem margem de dúvida. Espero e confio que o sindicato também o faça”, concluiu.

Pedro Polónio da ANTRAM diz que na próxima reunião haverá respostas ao ANMMP
Foto: José Peixe – D.R

O Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas foi criado no final de 2018 e tornou-se conhecido com a greve iniciada no dia 15 de Abril, que levou o Governo a decretar uma requisição civil e, posteriormente, a convidar as partes a sentarem-se à mesa de negociações.

A arbitragem do executivo levou a que os representantes sindicais e empresariais chegassem a acordo, no dia 18, definindo um calendário para o início das negociações, sendo a paralisação desconvocada de imediato.

Durante os três dias de paralisação o sindicato conseguiu mais 200 sócios, que são agora mais de 700, num universo de cerca 900.

José Peixe – Editor com recurso à Agência Lusa

 

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