Opinião

Opinião Sem Filtro – Quatro rapidinhas

Agora que chamei a vossa atenção para o meu texto, já fico mais descansado.
Sei que o vão ler até ao fim.

Há dias, quando almoçava com um amigo meu, e saltou inevitavelmente para a ribalta da conversa o tema comunicação e marketing, lembrávamos o curso de marketing digital que fizemos, há cerca de um ano e meio, em Setúbal, pela mão do Universo Google.
No módulo dedicado ao mail marketing, um dos excelentes formadores que tivemos, lembrou a importância do tema “assunto” que deveríamos colocar na newsletter. Segundo ele, teria de ter impacto e ser muito apelativo. Caso contrario, o destinatário do e-mail nunca o iria abrir o mail. Por isso, aqui fica uma sugestão. Será que se receber uma nota de imprensa cujo assunto seja o tema desta crónica não cairia na tentação de abrir o email? Fica a pergunta!
Deixo o sexo anal para os sexólogos. A crónica Sem Filtro vai dar, desta vez, quatro rapidinhas:

Regresso da Geração de 70
Eu e este meu amigo somos ambos homens da geração de 70. Ele nasceu em Agosto e eu em Outubro. Ele é Leão e eu Escorpião. Sinceramente, não sei se estes dois signos se dão bem. O certo é que eu e ele, já tivemos as nossas brigas, mas ajudamo-nos mutuamente sempre que tal é necessário.
Digo, por vezes, com alguma graça, que qualquer dia ainda organizamos umas Conferências do Casino no Ribatejo. Mas é só por graça. Não quer dizer que não nos corra nas veias a vontade que tinham Antero de Quental, Francisco Adolfo Coelho, Teófilo de Braga e Eça de Queirós quando criaram as Conferências do Casino e a Geração de 70. Apesar de na época, e infelizmente ainda hoje, serem acusados de pouco patriotismo, o certo é que recusam viver num país mouco às novas ideias que circulavam pela Europa
fora. Só acha que somos os maiores do mundo, quem nunca daqui saiu. Temos coisas boas? Claro que temos, e muitas! Mas podemos ser melhores, muito melhores. E todos nós sabemos como lá chegar.

Telefone do Centro de Saúde de Samora Correia faleceu
É com muita mágoa que anuncio que o telefone do Centro de Saúde de Samora Correia faleceu. Estava, há várias semanas, doente e já não atendia os pacientes, quer fosse de manhã, à tarde ou à noite.

Ainda houve várias queixas na tentativa de o salvar, mas nada foi feito. Falta agora apurar de quem foi a culpa. Uma coisa parece certa, do desgraçado telefone não foi, pois estava no melhor sítio possível para lhe tratarem da saúde.

Afinal, estamos perante um projecto Alpha, Bravo, Charlie…ou será Zulu? Isto utilizando, obviamente, o alfabeto fonético internacional que tive de impingir quando me mandaram para o Exército, na altura da Guerra do Golfo.
E assim anda a saúde ou a falta dela em Portugal!

“Canto para os pobres, os doentes…os ricos e nobres, que me criticam, vão todos para a puta que os pariu”

Nas tabernas e nas ruas, canto para os pobres, os doentes, os desfavorecidos, os pretos, os ciganos, os cegos…e os nobres e ricos, que me criticam, vão todos para a puta que os pariu, as palavras são de Maria Severa Onofriana, a mãe do Fado.
Seu pai era ribatejano de etnia cigana, nascido em Santarém. A mãe, uma prostituta da Mouraria, nasceu em Portalegre.
Severa, é um musical de La Féria, que não devem perder, no Teatro Politeama, em Lisboa. Uma verdadeira homenagem a uma mulher que partiu cedo. Tinha apenas 26 anos. Foi vítima de tuberculose.
Morreu na miséria e foi enterrada numa vala comum, sem caixão, como se
fazem aos cães. “Morro, sem nunca ter vivido”;, foi a sua última frase. E assim são tratados os artistas no Portugal dos “anões”.
Sabiam que fizeram o mesmo a Luís de Camões? Sepultado em campa rasa,sem letreiro. É o que somos!
Valem as redes sociais para esconder a podre imagem de alguns passageiros desta vida. Que não passam disso mesmo, apenas pobres e muito tristes passageiros.

Só quem não me conhece é que acha que as ameaças me silenciam
Ser jornalista nos dias que correm não é fácil. E a dificuldade agudiza-se quando laboramos na imprensa local e “beliscamos” quem connosco se cruza, por vezes, diariamente na rua.
Temos de estar à altura das exigências e ter coragem de gigantes destemidos, sempre prontos para enfrentar reacções hostis no desempenho de funções.
Do desprezo à agressão verbal e, por vezes, à violência física, tudo serve para tentar silenciar o mensageiro.
Já atingiram familiares próximos nos locais de emprego, já me perseguiram de automóvel (ao bom estilo dos tinonis de Hollywood) e até já houve quem me ameaçou de morte.
Uma sociedade saudável e forte, democraticamente falando, tem como requisito obrigatório um jornalismo de proximidade, virtuoso, plural, de referência, no qual a opinião é livre, por muito que ela custe.

Quem me acompanhou durante muitos anos no jornalismo de investigação, sabe que não me vergo facilmente perante ameaças e chantagens parolas, emanadas da cabecinha oca de alguns frágeis da nossa sociedade.
Toda esta retórica vem a propósito da minha primeira crónica Sem Filtro, publicada no Jornal Ribatejo News. Parece que o último parágrafo do texto fez sair da toca muitos coelhinhos cansados e cheios de moléstia.
Habitualmente, quando estou doente, vou ao médico tratar-me. Quer seja uma doença física ou do foro mental. Vou e não tem mal nenhum. Se estiver muito doente, fico em casa. Sair à rua? É completamente desaconselhado, principalmente se for para tratar mal os outros. Podemos ter uma recaída, ser
viral e contagiar gente saudável.
Até lá, rápidas melhoras!
Estejam atentos, porque por aqui é sempre Sem Filtro!

Mário Gonçalves – Jornalista

Mostrar mais

Related Articles

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back to top button
Close
Close

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker