Santarém

Santarém: as comemorações do 45.º aniversário do 25 de Abril

Parada Chaimite palco do Espectáculo de Recriação Encenada “Esta é a Madrugada que eu esperava”

As comemorações do 45º aniversário do 25 de Abril prosseguem em Santarém com destaque para o Recital a Ary dos Santos, Espetáculo “Esta é a Madrugada que eu Esperava”, apresentação do livro “Pezarat Correia Do Lado Certo da História”, homenagem a Salgueiro Maia, Almoço Festivo do 25 de Abril, Encontro de Coros, Homenagem ao Padre Nuno/Xico Nuno e apresentação de livro de Helena Pato.

As comemorações do 45º aniversário do 25 de Abril em Santarém, prosseguem no dia 18 de abril, às 21h30, no Centro Cultural Regional de Santarém – Fórum Actor Mário Viegas, com um Recital de Poesia de Homenagem a Ary dos Santos, com Domingos Lobo e Manuel Coelho, do Grupo de Jograis “U…Tópico” – Trovadores Defensores da Poesia e Prosa Portuguesa.

José Carlos Pereira Ary dos Santos foi um poeta e declamador português que se tornou conhecido do grande público como um dos mais talentosos poetas da sua geração, contribuindo para a renovação da música ligeira portuguesa, através dos seus poemas, que considerava serem a sua maneira de falar com o povo “porque ser poeta é escolher as palavras que o povo merece”.

José Carlos Ary dos Santos é autor de mais de 600 poemas para canções colaborando assiduamente com vários compositores, dos quais destacamos os já referidos Nuno Nazareth Fernandes e Fernando Tordo, mas também Alain Oulman, José Mário Branco, Paulo de Carvalho ou António Victorino de Almeida.

A sua ligação ao Fado tem início com a interpretação de José Manuel Osório, num disco editado em 1967, do poema “Desespero”, publicado no livro “Liturgia de Sangue”, de 1963.

Posteriormente escreve especificamente para vários fadistas e teve colaborações muito regulares com Amália Rodrigues e Carlos do Carmo.

O Grupo de Jograis “U…Tópico” – Trovadores Defensores da Poesia e Prosa Portuguesa.grupo foi fundado em novembro de 1998 e é constituído por quatro elementos: Maria de Fátima, Maria Luísa, António Freire e Manuel Diogo.

Domingos Lobo é um escritor, actor, autor, encenador e poeta português que nasceu em 1946, em Nagozela, Beira Alta, vindo com 15 dias para Lisboa, cidade onde estudou e viveu até à idade adulta.

Começou por fazer teatro como actor, depois como autor e encenador.

Passou pelo jornalismo e pelo teatro radiofónico. Estreou-se, como ficcionista, com um dos romances considerados canónicos sobre a Guerra Colonial (Os Navios Negreiros Não Sobem o Cuando, editado pela Vega). Seguiram-se, na ficção: Pés Nus Na Água Fria; As Máscaras Sobre o Fogo e As Lágrimas dos Vivos (todos editados pela Vega).

Em 1982 recebeu o Prémio de Melhor Encenador do Festival de Teatro de Lisboa.

É igualmente poeta, dramaturgo e ensaísta, tendo, em 2005, reunido alguns textos de crítica e intervenção literária no volume Desconstrutor de Neblinas (Edições Cosmos). Tem textos de análise crítica publicados nas revistas, Vértice, Escritor, Revista Alentejo, Seara Nova, EntreLetras e Jornal do Brasil.

Em Abril de 2018 foi-lhe atribuída, pela Câmara Municipal de Benavente, a Medalha de Mérito Cultural (grau Prata), por “ter engrandecido e valorizado a acção cultural no Município de Benavente”. Tem, na vila de Salvaterra de Magos, uma rua com o seu nome.

Manuel Diogo é actor e jogral do Grupo de Jograis “U…Tópico” – Trovadores Defensores da Poesia e Prosa Portuguesa.

Dia 23, tem lugar a apresentação do Livro “Do Lado Certo da História”, de Pezarat Correia, no Centro Cultural Regional de Santarém – Fórum Actor Mário Viegas. A apresentação do livro está a cargo do Coronel Carlos Matos Gomes.

Pedro de Pezarat Correia nasceu no Porto em 1932. Curso liceal no Colégio Militar, licenciatura em ciências Militares na Escola do Exército, em 1954; doutoramento na Universidade de Coimbra com distinção e louvor em 2017. Major-general reformado. Seis comissões na guerra colonial (Índia, Moçambique, Angola e Guiné). Participante no movimento militar que desencadeou o 25 de Abril de 1974, integrou o Conselho da Revolução e, nessa qualidade, comandou a Região Militar do Sul.

Na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra fundou e leccionou a cadeira de Geopolítica e Geoestratégia. Conferencista no Instituto da Defesa Nacional, Universidade Autónoma de Lisboa, e outros institutos superiores militares e civis.

 Autor de Centuriões ou Pretorianos; Descolonização de Angola – A Jóia da Coroa do Império Português; Questionar Abril…; Angola – Do Alvor a Lusaka; Manual de Geopolítica e Geoestratégia; Guerra e Sociedade; … da Descolonização – Do protonacionalismo ao pós-colonialismo e co-autor em muitas dezenas de livros e trabalhos sobre geopolítica e geoestratégia, estratégia e conflitos, 25 de Abril, guerra colonial e descolonização.

No dia 24 de Abril, às 15h00, o Teatro Sá da Bandeira recebe uma sessão de Cinema para jovens – “Luz Obscura”, de Susana Sousa Dias. Mais informações através do e-mail: cineclubedesantarem@gmail.com.

Este filme procura revelar, a partir de fotos da PIDE/DGS, como um sistema autoritário opera na intimidade familiar. Neste caso, na vida de Octávio Pato. O filme volta a refletir sobre os anos da ditadura em Portugal. Depois de ter participado em vários festivais, “Luz Obscura” foi distinguido com a Menção Especial do Júri da Competição Internacional de Longas-Metragens da DocumentaMadrid e recebeu o Prémio de Melhor Som no Festival Caminhos do Cinema Português. Esta iniciativa conta com a parceria do Cineclube de Santarém.

Às 21h30, naquela que é a Noite mágica do 25 de Abril em que da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, saiu a Coluna Militar liderada pelo Capitão Salgueiro Maia, rumo a Lisboa, na Revolução de 25 de Abril de 1974, que derrubou o Estado Novo, tem início o Espectáculo de Reconstituição Encenada “Esta é a madrugada que eu esperava”, na Parada Chaimite – Ex-Escola Prática de Cavalaria, com texto da autoria do Coronel Joaquim Correia Bernardo. A produção do Espectáculo está a cargo de Nuno Domingos e a encenação está a cargo de Berta Pereira e de Nuno Domingos.

O espectáculo conta com actores e actrizes amadores e profissionais do concelho de Santarém e com bailarinos e bailarinas profissionais de Santarém.  Este ano vão estar na assistência cerca de 50 “Rapazes” da Coluna de Salgueiro Maia, ex-militares que participaram na Revolução dos Cravos.

Entrada livre, pela Porta de Armas da EX-EPC – Escola Prática de Cavalaria. As portas abrem às 21h00.

Dia 25 de abril, das 10h00 às 13h00, as crianças, jovens e população em geral, está convidada a participar na Manhã Desportiva, no Jardim da Liberdade, organizada pela empresa municipal Viver Santarém, em colaboração com a Câmara de Santarém, que conta com a participação dos Clubes/Associações do concelho de Santarém. Para além da troca de experiências, as associações dão aulas e fazem demonstrações das suas modalidades desportivas. Esta iniciativa conta com zona Infantil com insufláveis e modelagens. Também há Pintura para Crianças, pela Associação Aqui Há Gato. Com muita arte e imaginação vamos pintar Abril com mil cores, as cores da Liberdade!

Das 10h30 às 11h15 há Teatro pela Associação Aqui Há Gato, e  das 11h15 às 12h00 há Yoga Infantil pela AMA –Associação Movimento Aberto, na Sala de Leitura Bernardo Santareno.

 Às 11h00 decorre a Cerimónia “Cravos para Salgueiro Maia”, junto ao Monumento Salgueiro Maia, no Jardim dos Cravos, que conta com a participação de familiares, amigos, de cerca de 50 “Rapazes” da Coluna de Salgueiro Maia, ex-militares que participaram na Revolução dos Cravos, da Câmara de Santarém, da Comissão das Comemorações do 25 de Abril – Associação Cultural e da população.

 Às 12h30, tem lugar o Almoço Festivo do 25 de Abril, no antigo Refeitório da Ex-Escola Prática de Cavalaria, que conta com a participação de cerca de 50 “Rapazes” da Coluna de Salgueiro Maia, com a Câmara de Santarém, Comemorações do 25 de Abril – Associação Cultural e todos aqueles que queiram participar.

Inscrições/Bilhetes no Posto de Turismo – 243 304 437, da Comissão das Comemorações do 25 Abril – Associação Cultural – 963 512 243/ 964 563 460, Emoção d’Imagens – 243 323 212 – Rua Dr. Pedro Canavarro (rua do Minipreço) e Cátia – Atelier de Jóias – Rua Capelo e Ivens.

Pelas 17h30 tem início o Encontro de Coros, promovido pelo Coro do Círculo Cultural Scalabitano, na Igreja da Graça, que conta com a participação dos grupos Allegreto (Braga), Coral Polifónico do Oeste (Guia, Pombal), Grupo Coral de Tancos e Coro do Círculo Cultural Scalabitano.

No dia 27 de Abril, às 15h00, é lançado o Livro de Memórias “Padre Nuno/Xico Nuno”, no Convento de S. Francisco, numa sessão que conta com a actuação da Banda de Música da Mata e do Coro do Círculo Cultural Scalabitano.

Esta homenagem tem como objectivo o lançamento de um livro sobre o seu percurso de vida, com testemunhos de antigos alunos, colegas e amigos dos diversos locais por onde passou.

Várias têm sido as homenagens realizadas por ex-alunos, amigos e colegas de diferentes locais por onde passou o Padre Nuno/Xico Nuno, nomeadamente, na Mata, em Setúbal e Santarém.

Francisco Nuno Oliveira Rodrigues, natural da Mata, freguesia da Chancelaria, concelho de Torres Novas, nasce a 14 de março de 1934.

Ingressa no Seminário de Santarém aos 11 anos e continua a sua formação sacerdotal nos Seminários de Almada e Olivais, sendo ordenado sacerdote a 15 de Agosto de 1957.

É nomeado para professor e prefeito no Seminário de Santarém, onde inicia funções a 1 de Outubro; aqui desenvolve com os jovens seminaristas vários desafios na área da música, teatro e desporto. Com uma vertente artística muito marcada pinta algumas obras que expõe, de forma individual e colectiva na cidade. Excelente caricaturista e tem grande espólio na área do desenho.

Torna-se sócio do Cine Clube de Santarém, criando uma forte amizade com o seu presidente Manuel Alves Castela e participa em vários serões musicais e tertúlias com os intelectuais da Cidade.

Em Setembro de 1963 é nomeado professor de Religião e Moral do Liceu Nacional de Santarém, ficando também com a responsabilidade dos Colégios Andaluz e Santa Margarida, a Mocidade Portuguesa, a JEC (juventude escolar católica) do Liceu Sá da Bandeira.

Preocupado com a Juventude dinamiza, com os jovens estudantes das escolas da cidade, o NATAL DO ESTUDANTE, que na época foi uma autêntica revolução; no primeiro ano o espectáculo é apresentado no Ginásio do Seminário e posteriormente no pavilhão da FNAT, no campo da Feira do Ribatejo e por fim no Teatro Rosa Damasceno.

Os espectáculos são sempre um verdadeiro sucesso, trazendo para os mesmos, artistas conhecidos na época e apresentadores como Fernando Correia e A Orquestra da então Emissora Nacional.

Cria e dinamiza o SCOJ (Secretariado Cristão dos Organismos Juvenis), um andar que aluga e que serve de apoio aos jovens que ali podem estudar, conviver e mais tarde se torna Lar para Estudantes. Rapidamente cria um pequeno jornal para divulgar o que se faz na casa a que chama também SCOJ; este serve de comunicação para a juventude da cidade e para os que já seguiram para as Universidades e para a guerra colonial.

Organiza na casa debates onde são abordados temas tabu para a época, nomeadamente Educação Sexual. O jornal está aberto a todos os que quiserem colaborar, sendo um meio onde os jovens expressam, não só a sua criatividade como expõem as suas dúvida e Padre Nuno está sempre disponível para os ouvir e aconselhar. Organiza diversas excursões a Lisboa, para assistir a peças de teatro, ópera e exposições que posteriormente servem para tema de debates nas aulas de Religião e Moral.

É Vice-Presidente da Associação Académica de Santarém; organiza torneios de futebol entre escolas da cidade assim como entre professores do liceu e do seminário.

Para além das excursões a Lisboa, organiza também excursões a Espanha em 1964 e 69, a Torremolinos, Sevilha e Madrid. Participa em reuniões da Oposição em 1969.

Perseguido pela PIDE é expulso do Liceu, no fim do 2º período, sendo então encerrado o SCOJ (jornal e casa/Lar de estudantes).

De 1970 a 1974 é colocado, por pequenos períodos, no STELLA MARIS (Organização da Igreja Católica para apoio aos tripulantes dos navios mercantes e pescadores), Paróquia da Ajuda em Lisboa e Externato Diocesano Frei Luís de Sousa em Almada.

Em 1975 pede a redução ao estado laical e casa com uma sua ex-aluna do liceu de Santarém, numa cerimónia religiosa.

De 1975 a 1982 vive e trabalha em Torres Novas onde é professor na atual Escola Maria Lamas; em abril de 1976 funda um jornal A FORJA do qual é director até Setembro de 1982.

Em Setembro de 1982, por razões de ordem familiar, ruma a Setúbal, sendo colocado como professor de Português e Latim na actual Escola Sebastião da Gama.

Membro activo do MDP (Movimento Democrático Português) tem uma intensa actividade política, sendo membro da sua Comissão Nacional.

A sua actividade cultural não se resume às diversas actividades que desenvolve com os alunos, como o Festival de teatro com as escolas da cidade, a Semana da Cultura e Língua Portuguesa, o 30º Aniversário do edifício da Escola Sebastião da Gama, O Centenário do Ensino Industrial em Setúbal.

Dinamiza e participa como ilustrador de livros de poesia de poetas setubalenses.

No verão de 1989 adoece. O diagnóstico é Leucemia Aguda. Tenta-se o transplante de medula em Londres o que, infelizmente, não acontece e vem a falecer em Inglaterra a 10 de Novembro de 1989. O velório é feito no ginásio da Escola.

Dia 30 de Abril, às 21h30, tem lugar o lançamento do Livro “A Noite Mais Longa de Todas as Noites I 1926 – 1974”, de Helena Pato, no Centro Cultural Regional de Santarém Fórum Mário Viegas, com apresentação de Ana Carita, professora universitária, que foi dirigente do MDP, na década de 70.

Helena Pato nasceu em Mamarrosa (Aveiro), em 1939. Licenciada em Matemáticas, professora, a sua vida profissional tem sido inteiramente dedicada ao ensino de crianças e jovens e à formação de docentes. Tem publicados livros, trabalhos e estudos, no âmbito da Pedagogia e da Didáctica da Matemática. Dirigiu o suplemento de educação do jornal “o diário”.

Foi dirigente da Associação da Faculdade de Ciências de Lisboa, no início da década de 60 e dirigente política da CDE, de 1969 a 1973. Em finais da década de 60, foi uma das fundadoras do Movimento Democrático de Mulheres.

Fez parte do núcleo de professores que, no início da década de 70, criou e dirigiu os Grupos de Estudo do Pessoal Docente e fundou os primeiros sindicatos de professores nascidos em 1984. Pertenceu às primeiras direções do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa.

Nas duas décadas que antecederam a Revolução, militou activamente na resistência ao regime fascista. Esteve no exílio durante três anos. Foi presa e detida pela polícia política, várias vezes.

O programa das Comemorações do 45º aniversário do 25 de Abril em Santarém é co-organizado pela Câmara Municipal de Santarém e pelas Comemorações do 25 de Abril – Associação Cultural e conta com a parceria da Associação Aqui Há Gato, Associação FITIJ, Associação José Afonso, Centro Cultural Regional de Santarém, Cineclube de Santarém e Círculo Cultural Scalabitano.

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