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Greve dos motoristas de matérias perigosas está a embaraçar o Governo

Os motoristas de matérias perigosas continuam em greve pelo reconhecimento da carreira, melhores salários e mais segurança. Esta greve foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), com sede em Aveiras de Cima e começou à meia noite de hoje.

Às 11 horas da manhã o motorista Carlos Barrela, vai sair com uma carga de gás natural para o Hospital de Amarante. “A greve que iniciamos esta madrugada não irá prejudicar os hospitais, lares de idosos, jardins de infância nem outras instituições que nos merecem toda a atenção. Eu e os meus companheiros vamos cumprir esses serviços com todo o profissionalismo, pois a nossa luta não é contra os portugueses, mas sim contra as posições irreversíveis do Governo que não nos quer escutar”, afirmou Carlos Barrela ao RibatejoNews, esta madrugada em frente ao Centro Logístico de Combustíveis (CLC), em Aveiras de Cima.

“Fazer greve para exigir o reconhecimento da categoria profissional, lutar por melhores salários e fazer outras exigências fundamentais para quem todos os dias transporta várias toneladas de matérias perigosas não é nada do outro mundo. É perfeitamente normal que isto aconteça num país democrático. Mas a verdade é que até agora o Governo não quis chegar a um entendimento com o nosso sindicato”, sublinhou Carlos Barrelas.

O motorista Carlos Barrela vai transportar daqui a pouco gás natural para o Hospital de Amarante
Foto: J.P – D.R

Pelo que pudemos apurar junto do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) a adesão à greve ronda quase os 100% e daqui a algumas horas, os resultados desta paralisação pode começar a fazer-se sentir em alguns postos de abastecimento de combustível e sobretudo nos aeroportos de Lisboa e Faro.

No Algarve (Estação de Loulé) os motoristas aderiram todos a esta jornada de luta e não garantem os abastecimento do aeroporto de Faro. Em Sines, Barreiro, Almada, Leça da Palmeira e na zona portuária de Aveiro a adesão à greve foi elevada.

Na refinaria de Leça da Palmeira foram muitos os motoristas que aderiram ^à greve
Foto: D.R

A Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) já anunciou publicamente que não reconhece qualquer legitimidade às reivindicações pretendidas e como tal não está disponível para iniciar qualquer negociação com o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), mas a verdade é que o Governo e a Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho estão preocupadas com esta greve e especialmente por ser por tempo indeterminado.

Na zona portuária de Aveiro – Prio a adesão à greve foi total
Foto: D.R

“Nós não podemos continuar a suportar salários miseráveis atendendo às responsabilidades que temos e ao risco que corremos todos os dias, ao transportar matérias perigosas que muitas das vezes põem em risco a nossa saúde. É por esta razão que exigimos um subsídio de risco mensal, o reconhecimento da categoria profissional e salários mais dignos”, disse o motorista João Ramos ao Ribatejo News.

João Ramos garantiu que os motoristas de matérias perigosas não vão deixar de lutar pelos seus direitos
Foto: J.P – D.R

O advogado Pedro Pardal Henriques adiantou ainda que as empresas “têm feito uma pressão tremenda sobre estas pessoas”, inclusive através de ameaças de despedimento por pertencer ao sindicato, criado há 14 meses através da conversão da Associação Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas.

Motoristas do Algarve não vão abastecer o aeroporto de Faro
Foto: D.R

Em relação aos serviços mínimos, o despacho conjunto dos ministérios do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e do Ambiente e da Transição Energética estabelecia o “abastecimento de combustíveis aos hospitais, bases aéreas, bombeiros, portos e aeroportos, nas mesmas condições em que o devem assegurar em dias em que não haja greve”, bem como o “abastecimento de combustíveis aos postos de abastecimento da grande Lisboa e do grande Porto, tendo por referência 40% das operações asseguradas em dias em que não haja greve”, garantiu o jurista do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas.

Alguns motoristas sentiram-se ofendidos pelo apresentador José Candeias (Antena 1) não ter falado sobre esta greve, uma vez que passa a vida a falar daqueles que andam agarrados “à roda” diariamente. Nas redes sociais têm aparecido algumas críticas por ele ter censurado um motorista de matérias perigosas que quis participar no seu programa.

Reportagem José Peixe – Texto e Fotos

 

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