Opinião

Opinião Sem Filtro: O preço pago por dois inocentes

Conheço o jornalista José Peixe há cerca de 30 anos. E em três décadas nada mudou e nada vai mudar. Temos um Zé como tínhamos há 30 anos: um coração de manteiga, muito bem camuflado. Cruzamos trincheiras na Rádio Íris, no Jornal “A Capital” e na formação.

O Zé é amigo do seu amigo e costuma, tal como eu, dar tudo a triplicar. Para o bem e para o mal. Bastará cada um fazer as suas escolhas. Vai ao fim da rua, ao fim do mundo ou ao fundo do poço para ajudar quem bem precisa e para tramar quem mais merece. Sei do que falo e poderia aqui citar diversos exemplos.

Louco quanto baste. Amigo do ecossistema, apaixonado pela investigação e um acérrimo defensor da sua terra e da sua pátria. O Zé “Poisson”, como eu o trato, é um homem culto e inteligente. Aliás, os jornalistas têm essa obrigação. Já deu a volta ao mundo várias vezes e nunca ninguém sabe muito bem onde anda. Mas o José tem um problema que também é o meu: não temos filtro entre o coração e o cérebro, daí a escolha do nome que resolvi dar às minhas crónicas.

A convite do Peixe, periodicamente, sempre que me apetecer fazer gosto ao dedo, irei trazer ao “Ribatejo News” uma crónica de opinião para ajudar a alicerçar este projecto jornalístico. Saúdo a coragem do José Peixe de o ter criado. Não é fácil exercer jornalismo de proximidade e de investigação numa sociedade acomodada, sempre à espera que sejam os outros a resolver os nossos problemas. Uma sociedade de brandos costumes, habituada a passar entre as gotas de água, salvo bons e honrosos exemplos. Obrigado, José Peixe pelo convite!

Sobre a condenação de Miguel Cardia e António José Ganhão

Apesar de já ter escrito sobre o assunto, antes de a juíza ter proferido a sentença, sempre defendi que António José Ganhão e Miguel Cardia, antigo presidente e vereador da Câmara Municipal de Benavente, iriam ser absolvidos dos crimes de corrupção de que estavam a ser acusados. E acertei. Tive acesso às escutas da PJ e nada os incriminava, por isso, a absolvição era mais do que óbvia. Ficou-se a senhora juíza pela prevaricação de cargos públicos.

Nada devo a estes dois homens, nem eles a mim. Apenas admirei o trabalho que desenvolveram no concelho de Benavente e, como tal, achei que deveria estar presente a título pessoal, por duas vezes, no Tribunal Judicial de Santarém para lhes dar algum apoio.

Apesar de conhecer muitos tribunais deste país, quer na qualidade de arguido (sim, porque os jornalistas têm esse “privilégio”) quer enquanto testemunha, devo confessar que nunca vi nenhum juiz fazer as “investidas” que fez a juíza a estes dois homens. Parecia aquela senhora que estava a lidar com criminosos de guerra ou com algum “serial killer” famoso, na presença da comunicação social, e que tivesse de demonstrar dureza na afirmação e no trato.

Deveriam ver a Procuradora do Ministério Público a quem cabe o papel da acusação. Nem uma palavra. Pois claro, não era preciso haver tanta gente a bater ao mesmo tempo. Aliás, na última audiência que antecedeu a leitura da sentença, a forma como aquela senhora colocava as perguntas, até parecia que já estavam condenados.

Não, senhora doutora! Não confundir julgar com condenar!! Sabe as diferenças? Claro que sabe! O que parece que não ter ficado bem claro foi os conhecimentos da senhora sobre o Direito Administrativo e as competências que deve ter um presidente de câmara. Aliás, numa entrevista à comunicação social, António José Ganhão referiu isso mesmo. Mas a “bagunça”, como diz o meu amigo Clauber, não se ficou por aqui. Ao condenar Miguel Cardia por prevaricação de cargo público, proíbe-o de exercer a função de comandante dos Bombeiros Voluntários de Samora Correia. Mas desde quando é que esse é um cargo público, senhora doutora?

Apesar de não ser jurista, facilmente se adivinhava aquilo que iria fazer o advogado dos arguidos: recorrer para o Tribunal da Relação de Évora.

Tenho a certeza que António José Ganhão e Miguel Cardia vão ganhar o processo na Relação e depois poderão processar e pedir elevadas indemnizações por danos causados. Mas infelizmente há danos irreparáveis: o tempo que os desgastou severamente; as noites sem dormir; os olhares desconfiados; as suspeitas por confirmar; os apelidos da família manchados, as notícias nas rádios, jornais e redes socias…e podia continuar.

Os juízes são seres humanos e podem errar, é verdade. Daí, haver a hipótese dos recursos. Mas há falhas inadmissíveis. Além disso, não são uma divindade intocável, imunes à crítica de opinião. Pelo menos não os vejo como tal. Estudar não faz mal a ninguém, senhora doutora. É o que digo aos meus filhos todos os dias. E também o digo a mim, embora o faça em silêncio.

Leio, estudo e aprendo todos os dias, apesar de não ter de julgar e condenar os meus semelhantes, senhora doutora.

Regresso da opinião sem filtro

Vou regressar com o propósito de ajudar a deixar uma sociedade mais justa do que aquilo que encontrei. Na agenda da minha memória, vou trazer o caso de um GNR que está tão refém do asfalto, que quando sair do poleiro até os cães vadios da rua lhe mijam para as pernas; um político que quando era oposição prometia transformar a sua terra num palácio de cristal, mas que não corresponde à verdade é só mentiras; Uma empresa de formação fantasma que anda a camuflar um consultório de astrologia e práticas de bruxaria e magia negra; um empresário que anda em carros topo de gama, bebe Moet et Chandon, come lagosta suada e tem os seus funcionários a mendigar um aumento de um euro há buéréré; uma “Dona Branca”, com a cumplicidade de um gerente de uma instituição bancária, que anda por aí a encher os bolsos à custa de uns desgraçados que não têm crédito na banca.

Estejam atentos, porque por aqui é sempre Sem Filtro!

Mário Gonçalves – Jornalista

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