Opinião

Olhar desde as “Portas do Sol” – As “fake news”, os políticos e a Web Summit

Olhar desde as “Portas do Sol” – As “fake news”, os políticos e a Web Summit

O fenómeno não é de hoje, nem sequer recente! Desde os tempos Júlio César, senão mesmo até antes deste, existem os fenómenos das notícias criadas  não com o objectivo de informar mas perseguindo determinados objectivos, sejam eles políticos, corporativos ou simplesmente de índole pessoal.

Desengane-se quem pensar que vai acabar com os a notícias falsas, que a maior parte das vezes iniciam com um boato, e ganham escala ao chegar aos incautos ouvidos de um qualquer jornalista com menos escrúpulos e menos conhecedor do código deontológico que os rege.

Com o advento dos novos media há novos caminhos a percorrer, mais complexos e desafiantes, e os deputados do Parlamento português tiveram uma boa iniciativa o aprovar uma resolução para combate à desinformação. Sendo uma boa iniciativa, não passa, para já de uma carta de intenções.

Convenhamos que recentemente as notícias falsas têm sido arma poderosíssima utilizada por políticos como Donald Trump ou Bolsonaro, e foi à boleia das ocorrências dos whatsapps, dos grupos fechados e dos incentivos à acção que as “fake news” ganharam a sua fama.

A actividade noticiosa, já confina em si instrumentos de regulação e auto regulação que levam a que um verdadeiro jornalista não caia no enredo da manipulação verificando fontes, diversificando-as,  comprovando factos e resistindo à pressão imediatista dos media de actualmente, que exigem conteúdo na hora, infelizmente, sem olhar à qualidade ou veracidade dos seus factos.

E esta actividade jornalística, em extinção, a passar uma grave crise pela sua sobrevivência económica e financeira, fica muitas vezes refém de grupos económicos e de uma certa doutrina opinativa.

A regulação deve existir, e devem ser criados instrumentos legais para minimizar o impacto e para penalizar os criadores de noticias falsas, e os produtores de conteúdos legítimos e jornalistas devem reaprender a filtrar os conteúdos que lhes chegam. Se numa fase dourada, os gabinetes de imprensa eram um foco de ajuda e de informação, hoje, por legítimos que sejam, as suas produções devem ser ainda mais escrutinadas. no geral. A produção de conteúdos noticiosos vai necessitar de uma iniciativa global que terá de envolver todas as partes intervenientes o que, se por um lado é de dimensão global, por outro podemos recomeçar a discussão de 2018 sobre a mesma na plataforma Web Summit dos anos vindouros, e deixar uma marca indelével neste tema, demarcando-nos dos restantes e assumindo a liderança do tema.

Fica o repto!

Por Nuno Petinga

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