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Israel: Escândalo de corrupção ameaça reeleição de Netanyahu

Anúncio da Procuradoria de que pretende apresentar denúncia contra o primeiro ministro israelita por fraude, suborno e quebra de confiança pode mudar rumos de eleição antecipada para Abril. Aliança de centro-direita também desafia candidatura.

Há dois anos, investigadores examinam alegações de corrupção contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu. Por isso, na semana passada, a maioria dos israelitas não ficou surpresa quando o procurador-geral Avichai Mandelblit anunciou sua intenção de denunciar Netanyahu por acusações de corrupção numa série de escândalos.

Agora é quase certo que o primeiro ministro deverá responder por acusações de fraude, recebimento de propina e quebra de confiança. A imprensa já tinha divulgado detalhes do caso, mas, pouco mais de um mês antes de uma eleição antecipada para Abril, o momento do anúncio de Mandelblit também se transformou em tema político. A grande questão, agora, é se essas acusações influenciarão a base eleitoral de Netanyahu.

Nos meses que antecederam o anúncio da semana passada,  especialistas em direito do escritório do procurador-geral ficaram debruçados sobre os documentos da investigação – resultado de dois anos de pesquisas de fatos e interrogatórios de testemunhas – para averiguar a validade das recomendações da polícia para a realização de um processo.

No mais sério dos casos, o Caso 4000, Netanyahu teria de responder por acusações de fraude, recebimento de propina e quebra de confiança por, alegadamente, ter concedido favores regulatórios à maior empresa de telecomunicações de Israel, a Bezeq, de propriedade do accionista majoritário Shaul Elovitch. O favorecimento teria sido retribuído com uma cobertura positiva de Netanyahu no Walla, o portal de notícias online controlado pela empresa. Na época, Netanyahu actuava como ministro das Comunicações.

Em mais dois casos suspeitos, o primeiro ministro enfrentaria acusações de quebra de confiança e fraude por ter recebido presentes luxuosos de empresários, além de um outro caso em que teria solicitado mais cobertura “positiva” de um dos maiores jornais diários de Israel.

Momento inoportuno

A decisão, porém, é provisória: segundo a lei israelita, o acusado tem direito a uma audiência – que poderia levar vários meses para ocorrer.

Exactamente por esse motivo, Netanyahu criticou os trâmites, falando numa tentativa de influenciar a eleição por parte de uma conspiração da “esquerda” para tomar o governo. O primeiro ministro conservador afirmou que a Procuradoria-Geral se curvou à pressão dos “media” e negou todas as acusações.

“De um ponto de vista legal, o procurador-geral não teve escolha a não ser anunciar sua decisão agora – não a alguns dias da eleição, mas semanas antes dela”, analisa Guy Lurie, pesquisador do Israel Democracy Institute. Ele destaca o profissionalismo da Procuradoria-Geral: segundo Lurie, Mandelblit foi transparente de forma incomum ao revelar como o seu gabinete chegou às suas decisões – um processo que foi publicado num documento de várias páginas.

Netanyahu decidiu, em Dezembro de 2018, antecipar a eleição, originalmente planeada para Novembro deste ano. Àquela altura, ele estava confiante de que seu partido, o Likud, e de que uma aliança religioso-nacionalista de direita lhe garantiria mais um mandato como primeiro-ministro.

Ele tinha bons motivos para isso: segundo as pesquisas mais recentes, 42% dos israelitas consideram o momento do anúncio do procurador-geral problemático. Um terço dos entrevistados, por outro lado, quer que Netanyahu renuncie imediatamente.

Nas ruas de Jerusalém, a atmosfera também é de divisão. “Claro, foi importante o procurador-geral tornar sua decisão pública antes da eleição”, diz a eleitora Simona Biron. “Por que eu deveria votar em alguém que é corrupto? Espero que a eleição nos traga algo novo.”

Fonte: DW

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