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Guaidó aos militares: “como querem ser recordados?”

As primeiras notícias de confrontos entre civis e militares dão conta de dois mortos e seis feridos. Os embates na fronteira são o pior cenário que o país pode enfrentar neste momento.

O líder da oposição, Juan Guaidó, apelou aos militares venezuelanos para que não aceitem instalar a violência junto da fronteira do país e pediu para que não se oponham à entrada de ajuda humanitária. “Como querem ser recordados no futuro?”, questionou Guaidó, para dar a entender que cada militar tem uma escolha a fazer: ser parte da repressão, ou da libertação.

Entretanto, a comunidade internacional está a apelar à calma, para que os incidentes já registados não venham a redundar num banho de sangue.

O pior cenário que os analistas indicavam como possível parece já estar a verificar-se: há notícias de confrontos entre civis e militares algures na fronteira entre a Venezuela e o Brasil, e as agências internacionais falam, para já, em dois mortos e seis feridos.

A violência dá-se num local para onde estavam a convergir civis venezuelanos que procuravam a ajuda humanitária que se espera para este fim-de-semana ao longo de vários pontos da fronteira. Durante o dia de ontem, o regime deslocou para a fronteira um contingente militar, na tentativa de impedir que a ajuda humanitária solicitada pela oposição entrasse no país.

Juan Guaidó, líder da oposição e auto-nomeado presidente interino, pediu para que a população se aproximasse da fronteira para receber a ajuda humanitária que Maduro se recusa a deixar entrar no país.

A deslocação de tropas para essas zonas fazia temer o pior – e nem o facto de vários dirigentes internacionais terem dito que se deslocarão até à linha de fronteira foi suficiente para levar o regime de Maduro a recuar.

Entretanto, o governo russo acusou hoje os Estados Unidos e a NATO de planearem entregar armas à oposição venezuelana, para derrubar Nicolas Maduro. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, disse em Moscovo que os Estados Unidos têm planos para deslocar forças especiais para junto de território venezuelano, ao mesmo tempo que procuram encontrar formas de introduzir armas no país.

O “suposto comboio de ajuda humanitária”, que deverá entrar sábado na Venezuela pela fronteira colombiana, é um pretexto para uma intervenção militar. disse Zakharova, considerando que o governo norte-americano está a preparar uma acção “para remover do poder o actual presidente legítimo da Venezuela”.

Nicolas Maduro mandou já fechar a fronteira terrestre com o Brasil e ameaça fazer o mesmo com a fronteira com a Colômbia, usando o mesmo argumento de Moscovo, ou seja referindo a intenção dissimulada de uma intervenção militar. É na primeira que estão a dar-se os primeiros confrontos.

Fonte: Jornal Económico

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