Opinião

Abílio Ribeiro: Os defeitos de José Peixe e o lugar do «RibatejoNews»

Os defeitos de José Peixe e o lugar do «RibatejoNews»

José Peixe (JP) nutre uma paixão avassaladora pelo jornalismo. A denúncia e a procura incessante pela verdade correm-lhe nas veias. Basta constatar a dimensão da sua cruzada mais recente, em que, qual Captain Planet (o super-herói criado no início da década de 1990, por Ted Turner – o mesmo que, espante-se, fundou a cadeia de televisão CNN e o canal Cartoon Network), percorre os recantos da lezíria ribatejana e territórios limítrofes, em busca de delitos que atentam contra o meio ambiente. Sobre isso, nada a obstar. Houvesse um pouco de Captain Planet em cada um de nós e o mundo seria um lugar muito mais aprazível e recomendável.

JP cultiva o gosto pela investigação e pela escrita. Acumula graus académicos em áreas tão díspares como Comunicação Educacional Multimédia e Paisagem Ambiental. Tem um currículo
apreciável e, em matéria de Direito Penal, é co-autor da obra «A Lei de Imprensa» (1997, editora Almedina). Consta que realizou as suas próprias pesquisas académicas e que não mandatou terceiros para adquirirem exemplares em larga escala. Sobre isso, nada contra. A
honestidade intelectual fica sempre bem – sobretudo a quem realmente a pratica, o que começa a ser uma qualidade rara nos dias que correm.

Mas nem só de predicados reza a história de JP. Em bom rigor, JP também tem defeitos, o que só demonstra o seu lado humano (e que contraria aqueles que, de forma insistente, o apelidam de alienígena). Ele deverá ter conhecimento de causa, embora (presume-se) isso não
lhe cause propriamente insónias. Mas só o próprio poderá responder.

Um dos equívocos de JP foi ter criado um jornal de província, algures na década de 1990.

Atitude empreendedora pouco lisonjeada nos dias de hoje, mas que, à luz desse tempo (o ciberespaço era uma miragem e o correio físico um modelo de negócio sustentável e sem ameaças à sua sobrevivência), assumia-se como um meio de informação que, apesar das
evidentes limitações, dava conta do que ia acontecendo nos concelhos de Salvaterra de Magos e de Benavente.

O jornalista José Peixe, na tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República
Foto: D.R

Tratou-se de um equívoco porque JP incutiu demasiada ousadia no seu próprio projecto editorial. Transformou um jornal de província pioneiro numa plataforma de diálogo, dando espaço e voz a entidades, associações, edilidades, personalidades e a gente incógnita, num
espírito salutar de partilha de perspetivas e pontos de vista. «O Campino» preencheu um vazio e, à sua maneira, procurou contrariar a tendência para a ausência de hábitos de consumo de
informação impressa. Um facto indesmentível – e cuja propensão é ainda mais acentuada nos meios rurais (até aqui, nada de novo).

Impressionante foram os anti-corpos entretanto criados e o surgimento de correntes que teimam em fazer prevalecer a sua opinião, sem qualquer postura de aceitação de argumentos
contrários. Há ainda os que, mesmo não aceitando a perspetiva que lhes é subordinada, optam por não a refutar (sobretudo publicamente). São os que fazem de conta que estão do mesmo
lado, agindo de forma igual, mas pensando de maneira diferente. Mais do que desolador, dá pena (tanto quem subjuga, como quem é subjugado).

Sendo jornalista, JP pertence a uma classe que, mesmo antes do veredicto ser conhecido, está imediatamente condenada. Não por acaso, os jornalistas ocupam a 7.ª posição na lista das profissões mais confiáveis pelos portugueses, cujos lugares cimeiros são ocupados por bombeiros, médicos e professores, respectivamente (dados de 2019, de um estudo realizado pela consultora GfK). São resultados pouco encorajadores, atendendo ao princípio basilar que norteia o exercício da profissão: informar com isenção e rigor.

Tudo isto não vem a despropósito. Num momento em que pretende afirmar o «RibatejoNews» como um meio de informação digital de âmbito regional, JP tem pela frente a árdua tarefa de conquistar audiências sem ceder a sensacionalismos, entre outros desafios que envolvem fatores como o rigor da informação, a motivação dos leitores e, naturalmente, a viabilidade do projeto. A par disso, terá de aprender a extinguir incêndios.

Entre o fim de «O Campino» e o início do «RibatejoNews», muitas circunstâncias mudaram.

Não vale a pena evocar águas passadas (nem algumas dessas gotas que ainda salpicam o presente). Esse chão já deu uvas. As novas gerações são o futuro do concelho de Salvaterra de Magos e, entre elas, há gente com muito valor. Que os feitos de todos esses talentos possam
ser dados a conhecer no «RibatejoNews», em sinal de reconhecimento e de ânimo redobrado para os tempos que se avizinham.
Abílio Ribeiro
[Jornalista]

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